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                                             A Nova 

Infecção. Doença. Vacina. Revolta. Nos idos dos anos iniciais do século passado, mais precisamente em 1904, a capital do Brasil, a cidade do Rio de Janeiro, já padecente de várias moléstias tais como a febre amarela, tifoide, tuberculose dentre outras, sendo alcunhada internacionalmente como “túmulo dos estrangeiros”, foi palco de uma das maiores revoltas populares já acontecidas no país. A República, incipiente e (já) trôpega, se viu diante de um conflito entre prover saúde aos seus cidadãos e ouvir o que os mesmos clamavam. Uma capital que, sob o efeito de várias tensões, passa a viver dias de pandemônio. A ascensão do Dr. Oswaldo Cruz, jovem cientista e médico sanitarista mas já detentor de grande prestígio no meio político e cientifico, teve como uma das consequências a carta branca para a implementação de medidas impopulares no combate à varíola, doença que assolava a então capital com agressividade incomparável. Tensões sociais/urbanas, políticas e destaques pessoais formavam um caldo de cultura potencialmente explosivo. Guardadas as devidas e díspares proporções e considerando o contexto histórico, dessa vez não mais uma única cidade mas sim o mundo se vê diante de impasses, onde as liberdades individuais, a “ciência” e movimentos de poder global se confrontam. Vive-se hoje um cenário similar onde desde já se profetizam consequências de médio e longo prazo quem em nada se assemelham com aquelas provenientes do histórico momento da velha república brasileira. Produzido ou não, o vírus se viu agente político e não somente patológico, aspecto que em muito se destaca na atual pandemia. O micro-organismo, identificado como chinês em um reconhecimento ao mais que evidente envolvimento daquela potência na sua disseminação, seja de forma deliberada, seja acidental, é o personagem do momento. A gênese desse ator talvez seja o que mais diferencia os dois momentos históricos. Voltando aos idos de 1904, a desde sempre frágil república se via diante de ruídos diversos. Os componentes eram mais que apropriados, quais sejam extratos sociais heterogêneos, que exibiam escravos libertos remanescentes e seus descendentes; burgueses incipientes e uma classe de privilegiados econômicos, seja por títulos de nobreza, seja por altos proventos oriundos de negócios e/ou negociatas. Guardadas as já destacadas (des)proporções entre os fenômenos, há entre eles similitudes, contrastes e contraposições e será nossa humilde tarefa abordar tais aspectos nesse artigo. Diferentemente do que vemos hoje, onde uma precisão suíça contabiliza quase que minuto a minuto as vítimas do Covid19, nunca se poderá saber com exatidão o total daqueles que sucumbiram na então capital e demais plagas pela varíola, em parte pela inapetência da autoridade de então em informar ao público em geral, em parte pela falta de meios adequados de contabilização. As forças políticas descontentes com o “status quo”, de forma oportunista, utilizaram-se do caos social para buscar seus intentos. Militares positivistas, aliados as mais diversas camadas da sociedade, impressionavam pelo discurso nacionalista e patriótico. Lei aprovada pelo Congresso Nacional em nove de novembro de 1904 é de se supor que nem mesmo os defensores da obrigatoriedade da vacinação (afinal, “vidas importam”!!!) sequer imaginavam o barril de pólvora de curto rastilho que conceberam. De parte dos defensores da medida de força, a alegação era de que os países desenvolvidos da Europa também aplicaram a vacina de forma compulsória. Desde então, aqueles que defendiam a liberdade de escolha entre se vacinar ou não, alegavam que a consciência de cada um deveria ser a determinante e não uma imposição legal, aplicada de forma violenta e até mesmo despudorada para os padrões da época. A descrença quanto à eficácia (pasmem, “negacionistas” já no século XX!!! Inadmissível!!)   e segurança oferecidas pelo medicamento era generalizada, contando-se com Ruy Barbosa no senado da república para externar, em discursos inflamados, essa descrença descrença essa referendada por casos de reação fisiológica à vacina, acompanhada, em contraposição, da reação do próprio jovem doutor Osvaldo Cruz, defensor ferrenho dos métodos e do medicamento, com a retaguarda insuperável do então presidente Rodrigues Alves, que fez  do combate  às  doenças  da então capital o cumprimento de um compromisso eleitoral.  A draconiana lei, votada em 31 de outubro de 1904, foi a gota d´água que transbordou o copo da revolta. Alcançava desde recém-nascidos até idosos. Logo após a sua regulamentação, as agitações se iniciam na capital da república, notadamente na área central. Ressalte-se que fica mais uma vez evidenciada que a luta pela liberdade é da essência humana, sendo atemporal e que, independentemente das intenções, produz personagens históricos como Horácio José da Silva, o “Preto Prata”, um dos líderes da resistência popular à vacina. Já em 05 de novembro é criada a “Liga contra a Vacina Obrigatória”, organização que tentava capitanear a insurgência, inclusive com atos públicos (“aglomerações”?) não autorizados pela autoridade policial, quando, não raro, embates entre a turba e os agentes do estado ocorriam, varando dias. Os amotinados, em grande parte pertencentes às classes sociais mais baixas, dentre eles malandros, vagabundos e prostitutas, o chamado rebotalho, apesar da opinião contrária de Lima Barreto, que sustentava que nem todo o revoltoso era parte da escória social e que aqui não nos cabe ponderar, residentes em habitações das mais insalubres, transformaram a então capital em uma terra de ninguém, onde escombros, veículos incendiados, barricadas, focos de incêndio, postes derrubados e linhas telefônicas cortadas formavam um cenário que por si só falava do e graduava o caos. Contingentes das forças armadas da época, Exército e Marinha de Guerra, esta última empregando inclusive a artilharia de parte de suas embarcações, cerraram fileiras com a Polícia, diante da magnitude das forças revoltosas, assim como parte delas, oportunista, aproveitou-se do ambiente para sublevar-se contra o poder central, trama urdida desde o ano anterior. Tal repressão e imposição das exigências sanitárias foi celebrada internacionalmente, tendo recebido moção de louvor no Congresso Sanitário de Copenhague de 1904 e a medalha de ouro no Congresso Sanitário de Berlin de 1907, vale ressaltar. Seguiu-se à essa onda de revolta um aumento escandaloso de práticas ilegais na capital, com a ocorrência de inúmeros ilícitos e crimes como arrombamentos, assaltos, assassinatos e vadiagem (sim, vadiagem um dia foi punida com prisão. Sorte para muitos que não mais…) ganhando contornos também epidêmicos. A revolta, de cunho eminentemente popular e libertário, foi instrumentalizada pelas forças políticas de oposição ao governo, que aqui não cabe maior detalhamento sobre, em seus intentos de alçar ao poder pela via revolucionária. A estatística oficial (e precária) que, após cerca de duas semanas de embates, apresentou números tais como 945 prisões, 461 deportados, 110 feridos e 30 mortos, impeliu Rodrigues Alves a desistir de seu intento autoritário de vacinação obrigatória. Feita a digressão e avançando no tempo e no espaço cerca de 120 anos, o que se vive hoje é a repetição, não mais em termos locais mas globais, das mesmas práticas, técnicas, embaladas pelo mesmo  componente de busca de poder, em um ambiente social que vai da opulência das grandes potencias  do  norte  à depauperada realidade  dos países ditos periféricos, passando ( na verdade  sendo disparado…) pela potência chinesa, descaradamente ávida de protagonismo nos destinos da humanidade, conforme confissão exarada despudoradamente no XIX Congresso Quinquenal do Partido Comunista da China¹, capaz de lançar  mão de todos os meios para alcançar esse seu intento, conforme a histórica prática revolucionária, dessa vez com o emprego de um agente (com duplo sentido) patogênico mortal, sendo essa uma das grandes distinções entre as  duas tragédias sanitárias. Cada vez mais a hipótese de acidente em ambiente laboratorial, e não premeditação, se desvanece². Vencer pela infecção e consequente enfraquecimento de economias concorrentes. Vencer pela supremacia comercial. Vencer comprando consciências. Vencer ditando comportamentos. Vencer quebrando a resistência dos discordantes. Vencer às liberdades individuais. Vencer pela mordaça. Vencer o cristianismo e seus valores. Vencer o ocidente. Vencer para, finalmente, dominar. Que novos “Pretos Prata” surjam e se insurjam.
A humanidade agradece. 

Fonte:

Livro “A Revolta da Vacina”- Autor Nicolau Sevcenko

https://portal.fiocruz.br/noticia/revolta-da-vacina-2


Referências:

1 – https://oglobo.globo.com/opiniao/xi-jinping-reitera-meta-de-hegemonia-politica-da-china-21973529

2 – https://www.poder360.com.br/coronavirus/medica-diz-que-coronavirus-foi-criado-em-laboratorio-chines-governo-nega/

 

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